A imagem sempre esteve presente na História mundial como meio de narrativa, registro, expressão artística ou religiosa. Em tempos mais recentes, técnicas como a fotografia e o cinema; formas de distribuição de informações como meios de comunicação de massa exacerbaram a importância da imagem na representação do mundo contemporâneo. Hoje, já se diz que não é mais suficiente apenas ver – é preciso ler imagens, entender seus códigos, interpretar suas mensagens, ter uma compreensão crítica do que está representado, sob pena de alienação com relação aos mecanismos de construção de sentidos na sociedade.
Tratando de aspectos como estes, a edição extra do Kulturforum realizada na última quarta-feira (03/09) com o tema Teorias e crises no universo imagético reuniu no Centro Cultural Brasil-Alemanha (CCBA) estudantes, pesquisadores e profissionais liberais das áreas de Publicidade, História, Comunicação Social e Sociologia, além do artista plástico Inó, num bate-papo informal com dois especialistas no tema: os professores Thomas da Costa Kaufmann, da Unirversidade de Princeton, e Jens Baumgarten, da Unifesp. Os dois participaram na semana passada do simpósio internacional Crise da imagem ou crise das teorias?, realizado em São Paulo pelo Instituto Goethe.
Jens Baumgarten trouxe para o fórum a ótima notícia de que, em 2009, a Unifesp estará abrindo um curso de graduação voltado ao estudo das ciências da arte e da imagem. Batizado simplesmente de História da Arte por uma questão de estratégia política, a graduação deverá, sim, incluir as teorias e historiografia mais tradicionais, mas ao mesmo tempo agregará a tentativa de desnacionalização desocidentalização do estudo da arte, além de contemplar mídias mais novas. Inicialmente, o curso será apenas de bacharelado, visto que não há demanda para licenciatura no Brasil.
“Trata-se de um conceito político, de como gerar uma cidadania crítica, participativa. A História da Arte não deve ser uma disciplina elitista”, defendeu Baumgarten. “A universidade pública tem outro papel e deve se fortalecer como lugar para fomentar capacidades críticas e teóricas, e não só práticas. O olhar deve ser crítico – ele é uma capacidade técnica e cultural que precisa ser aprendida, como a leitura”, afirmou.
Em sua fala, o professor Thomas Kaufmann despertou a discussão sobre os problemas da universalização da História da Arte. Afinal, seria possível narrar esta história no escopo mundial? Criar uma Geografia da Arte? Um dos convidados lembrou a elitização do acesso aos códigos da Arte, e questionou se até onde seria possível falar numa universalização dentro de um contexto ainda iminentemente eurocêntrico. Até defender o estudo da arte “não-européia” é uma forma de reafirmá-la como centro.
Para Jens Baumgarten, desprezar o eurocentrismo seria hipocrisia – até porque a Universidade e a própria História são instituições européias. “Não podemos negar essa herança, mas podemos contextualizá-la, entrar em diálogo. Fazer uma autocrítica, mas não cair na autoculpa”, finalizou.
